24/08/2014

Práticas Experimentais

Uma das coisas que tenho feito mais frequentemente no novo modelo de escola em tempo integral, na qual comecei a trabalhar este ano, são as práticas experimentais, excenciais para ajudar a entender melhor um determinado conceito de Física.
Galileu Galilei (figura) é considerado o precursor do chamado Método Experimental, que contribuiu para que muitas teorias ganhassem credibilidade. O que era visto e verificado na prática pelas pessoas era mais fácil de ser discutido, entendido e posteriormente aceito.
Alunos meus realizando experimento com gerador de pulsos com frequencímetro e luz estroboscópica, que pisca na mesma frequência do pulso, e ilumina de cima a cuba de água, projetando na placa abaixo a imagem da onda. A sincronicidade entre os pulsos e a luz permite que a imagem da onda fique estática, possibilitando desta maneira a medida do comprimento de onda, o cálculo da velocidade de propagação, a visualização de pontos de interferência destrutivas e construtivas, reflexão, refração e difração das ondas.
Nas outras escolas que lecionei eu ia raras vezes ao laboratório, privilegiando o conteúdo teórico exigido nos exames vestibulares.
Também de olho no que é cobrado nestes exames, a esmagadora maioria das escolas particulares acaba adotando procedimentos no ensino de Física que só contribuem para fazer com que esta disciplina se torne uma das matérias consideradas menos interessantes pelos alunos, resumindo-se a um amontoado de fórmulas que devem ser decoradas e aplicadas a exercícios muitas vezes desvinculados de um sentido prático evidente. Sejamos francos: quem um dia, com toda tecnologia disponível de mapas digitais, com estradas e distâncias detalhadas, se disporia a usar fórmulas da cinemática para calcular o tempo de viagem entre duas cidades, como sugerem os exercícios dos livros didáticos?
Alunos de minha escola realizando experiência com o Anel de Gravesande. Aquele em que uma esfera passa por um anel quando está fria, e não passa quando está quente. Conceitos de dilatação volumétrica.
Conteúdo de vestibulares: um inimigo da boa Física 
Os vestibulares, e as estruturas que definem os conteúdos programáticos de Física a serem ensinados e seguidos nas escolas de Ensino Médio, não poderiam continuar exigindo que os professores fiquem presos a métodos tão desestimulantes de ensinar esta matéria. Não sei como poderia ser feito, mas se a maneira de cobrança nos exames fosse alterada de algum modo, privilegiando outras formas de medida do conhecimento prático adquirido pelos alunos, a Física talvez pudesse ser considerada como uma das mais interessantes de serem aprendidas.  
Falo isso por experiência própria. No laboratório da minha escola, um dos melhores e mais bem equipados dentre os que conheci nas escolas onde dei aulas, durante um tempinho do intervalo do almoço, quando aproveito para testar experimentos de óptica, mecânica, eletricidade, ondas, ou termologia, alguns alunos, muitas vezes do Ensino Fundamental, entram e ficam querendo saber e entender o que estou fazendo, e quando eu explico de maneira simplificada, eles se interessam bastante, e outro dia notei até que alguns ficaram maravilhados quando viram uma simples imagem de uma pequena lâmpada de um canhão de luz projetada por mim na parede. A curiosidade é inerente às crianças, e isso deve ser sempre incentivado por quem gosta de ensinar, mesmo que seja pelo simples fato de vê-las entender melhor os segredos de alguns fenômenos da natureza revelados pelos experimentos práticos.
Alunos meus, do Ensino Médio, durante o experimento de estudo de uma esfera de aço em queda livre. Os sensores fotoelétricos captam os instantes em que a esfera passa pelas marcações de posição, e através de uma interface ligando os sensores ao notebook, os dados de tempo são coletados em um cronômetro.






















Teorema de Tales na prática
Durante esta semana que se passou, resolvi realizar na aula de Práticas Experimentais, com os alunos da 2ª série do Ensino Médio, a experiência de medir sombras de objetos colocados na vertical, a fim de determinar a altura desconhecida de um deles, geralmente o daquele que seria mais difícil de medir diretamente, como por exemplo a altura de uma árvore. Aproveitei o dia ensolarado e falei primeiramente a eles sobre a teoria envolvida, e da aplicação do Teorema de Tales. Eles estavam interessados, pois iríamos logo sair da sala para realizar as medições, e então contei um pouco sobre a história que alguns livros se referem sobre um problema que teria sido proposto para ver quem conseguiria medir a altura de uma pirâmide do Egito. Diz a lenda que Tales teria usado seus conhecimentos de geometria para solucionar o problema.
Fiz rapidamente na lousa, sem régua mesmo, um desenho de duas retas concorrentes e várias paralelas passando por elas, formando um ângulo de 90º com uma das concorrentes. Veja ao lado.
A seguir, conto para eles que Tales, em aproximadamente 600 a. C. teria medido várias distância e notado que havia uma proporção entre lados correspondentes dos triângulos formados. Coloco alguns valores fáceis de calcular, para que eles entendam bem (figura).

Também fantasio um pouco e provoco os alunos, dizendo a eles que provavelmente naquela época já deveria haver aquelas pessoas que adoram ficar pensando e falando:
Mas para que vai servir isso?

Quando fazemos a relação do que Tales havia descoberto, com o problema do cálculo da altura da pirâmide, temos um belo exemplo de como uma descoberta teórica pode ser usada até mesmo bem posteriormente para decifrar um problema prático.

Eu sempre ensino este assunto no começo de Óptica Geométrica,  pois está relacionado com a propriedade da propagação retilínea da luz, um dos fundamentos da Física Clássica. Como sabemos, pelo fato de estarmos muito longe do Sol, e pela pequena dimensão relativa de nosso planeta, os raios de luz solar chegam à Terra paralelamente uns em relação aos outros. Tales, sabendo disso, teria ido ao deserto e montado o esquema indicado na figura ao lado.

Após contar a história e explicar o método aos alunos, saímos no estacionamento da escola onde havia uma grande árvore, e cuja sombra estava inteira no solo, sem obstruções para que pudéssemos medir seu comprimento. Medimos antes o comprimento e a sombra de uma caneta colocada na vertical, e através de cálculos obtivemos a altura da árvore.

A prática em si é muito simples, mas acredito que o fato de ter levado os estudantes a executá-la é um recurso didático que faz com que eles gravem melhor até mesmo a fórmula que eu passo para que eles também resolvam alguns exercícios, que é esta:
 Normalmente a variável desejada é aquela mais difícil de ser medida diretamente (H)
No primeiro exame do ENEM, este tema foi explorado na seguinte questão:
Em certa hora do dia um poste projeta no solo uma sombra de 60 cm, ao mesmo tempo em que uma pessoa de 1,80 m de altura, projeta uma sombra de 20 cm. Mais tarde, em outra hora do dia, qual será o comprimento da sombra da pessoa, se a sombra do poste passar a ter comprimento de 45 cm?

Depois que eu fui fazer a experiência usando uma caneta servindo como objeto menor, surgiu uma dúvida dos alunos a respeito da posição correta que deveríamos colocar o zero da régua para medirmos a  sombra da caneta, e verificamos, fazendo alguns testes com alturas conhecidas previamente, que um pequeno erro nesta medida, pode significar grandes diferenças nos resultados esperados. Eu expliquei então a eles qual deveria ser a posição certa e o porque.
Então, instantes depois, quando a aula já havia terminado, fiquei pensando como o ENEM poderia explorar uma situação prática como esta, e imaginei uma questão. Vejam:
Questão
Um aluno deseja aplicar o Teorema de Tales para determinar a altura de uma árvore no estacionamento de sua escola. Ele escolhe uma caneta sem tampa para servir de objeto menor, colocando-a na vertical. Mede o comprimento da caneta até a ponta dela, e no momento em que vai medir o comprimento da sombra da caneta, surge uma dúvida sobre a posição correta da régua, pois uma colocação em local errado pode gerar erros na obtenção da altura real da árvore. As alternativas a seguir representam uma caneta sem tampa, colocada na vertical. Qual delas indica a medida correta (m) do comprimento da sombra que deveria ser usada pelo aluno?



11/07/2014

Uma nova unidade de velocidade: comprimento do corpo por segundo

Ontem, no facebook, deparei-me com uma chamada para um artigo da Scientific American magazine, em que eles fazem a seguinte pergunta.
Se um guepardo, um ácaro e um humano disputassem uma corrida, adivinhe quem ganharia?
Na certa eles esperam que as pessoas respondam que é o guepardo, mas se for adotada uma unidade específica de medida de velocidade, diferente das tradicionais, levando em consideração os comprimentos dos corpos dos corredores, chegaremos à conclusão de que um certo ácaro, o Paratarsotomus macropalpis, do tamanho de um grão de gergelim, seria o mais veloz de todos. Por este motivo, ele está sendo considerado atualmente por biólogos como o animal terrestre mais rápido do mundo.

Paratarsotomus macropalpis, Usain Bolt, e o Guepardo
A figura abaixo, do artigo da  Scientific American, mostra uma representação em que Usain Bolt e um guepardo (cheetah) seriam hipoteticamente reduzidos ao tamanho do ácaro P. macropalpis, para disputarem uma corrida em volta de uma rosquinha, de uns 10 cm de diâmetro. Pode-se ver facilmente na figura que, se seguíssemos apenas a unidade de medida de velocidade definida como body lengths per second (comprimento do corpo por segundo), Bolt e o guepardo teriam percorrido pequenas distâncias relativas, depois que o ácaro já tivesse completado uma volta na rosquinha.
Simulação de uma corrida em volta de uma rosquinha, considerando apenas a unidade de velocidade body lengths per second (comprimentos do corpo por segundo). Usain Bolt e o guepardo estariam reduzidos ao tamanho do ácaro. Reparem que no caso do ácaro, não colocam a velocidade em miles per hour (milhas por hora), somente em bl/s (body length per second).
É óbvio que se usarmos as unidades mais tradicionais da Física para as velocidades, sem levarmos em consideração os comprimentos dos corpos, o guepardo continua sendo o animal terrestre mais rápido do mundo. Isso porque ele pode atingir uma velocidade aproximada de até 108 km/h.
Olhando a foto (ao lado), que mostra o ácaro Paratarsotomus macropalpis em uma escala de 1 cm, subdividida em 10 partes, podemos dizer que ele tem um comprimento de mais ou menos 3,0 mm. Sabe-se também que a velocidade deste ácaro, é de 322 body lengths per second (bl/s). Multiplicando-se as medidas (3 X 322), concluímos então que isto dá 966 mm/s, ou seja, quase 1 m/s. Isto corresponde, nas unidades usuais de velocidade, a cerca de 10 vezes menos a velocidade de Usain Bolt (10 m/s), e em torno de 30 vezes menos a do guepardo (30 m/s).

No entanto, adotando-se a unidade bl/s, Bolt como percorre apenas 6 comprimentos de seu corpo por segundo teria velocidade de 6 bl/s, e a do guepardo, seria de 16 bl/s, e desta forma, em uma suposição deste tipo, eles ficariam bem atrás do ácaro.

O que eu acho disso tudo?
No meu ponto de vista, é preciso tomar cuidado com as conclusões que podem ser tiradas somente olhando-se rapidamente algumas figuras, como a colocada na chamada do artigo da Scientific American, apesar de que eles deixam bem claro no texto que a comparação deve ser feita levando-se em consideração os tamanhos dos animais.
Não há dúvida, portanto, de que quando queremos comparar quaisquer grandezas físicas devemos sempre observar atentamente a unidade de medida que está sendo empregada.

Não sei se deveria concordar com esta nova forma de medir e de comparar as velocidades entre bichos de dimensões e pesos tão diferentes entre si. É notório que os efeitos da gravidade ou resistência do ar sobre os ácaros são bem diferentes daqueles sofridos pelos animais de maior porte, por exemplo.
Outra coisa: Como fica a questão de qual deve ser o comprimento adotado do corpo do animal? O corpo do guepardo, por exemplo, e acredito também que do ácaro em questão, durante a corrida, ficam em uma posição mais horizontal, bem diferente da posição de uma pessoa correndo. Então não deveria ser levado em consideração esta diferença na adoção do comprimento do corpo a ser usado nos cálculos?

Eu acho que se os pesquisadores continuarem a identificar e estudar a velocidade de insetos ou ácaros cada vez menores, acredito que adotando-se esta unidade de velocidade bl/s nas comparações, provavelmente surgirão mais candidatos a serem escolhidos como o animal mais rápido do mundo, e ficaremos conhecendo alguns até então desconhecidos e anônimos micro-organismos, como é o caso deste ácaro em questão, que por hora pode aproveitar bem seus momentos de fama mundial.

Fontes:
http://www.sciencedaily.com/releases/2014/04/140427191124.htm
http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-2616013/The-fastest-animal-world-Tiny-Californian-mite-beat-cheetah-size-least.html
http://www.polyteck.com.br/blog/qual-e-o-animal-mais-rapido-da-terra/

22/06/2014

Ciência, luz, religiões e verdades

Eu tentei encontrar uma luz que me ajudasse a pensar em algo interessante sobre Física para colocar aqui no blog, após um longo tempo sem postar, devido à correria no meu novo emprego, e no final das contas acabei optando por falar um pouco sobre religião, este assunto que muitos consideram indiscutível, mas que na prática tem sido o causador de intermináveis debates, revelando grandes divergências de pensamentos devido às várias maneiras com que cada um interpreta e adota ao seu modo diferentes filosofias de vida.
Para mim, o problema é que não consigo ficar quieto quando vejo que algumas destas doutrinas começam a se meter em áreas que a ciência já demonstrou ter muito maior domínio de causa.

É certo que os pilares básicos da ciência que a humanidade levou tanto tempo para edificar, através de observações críticas e contínuas, das anotações dos erros e acertos, das tentativas e experiências bem ou mal sucedidas, a fim de buscar uma solução ou explicação para algo que tenha em algum momento nos incomodado ou desafiado ao longo da nossa história, já deram provas suficientes de que são muito profundos e consistentes. Como não concordar, por exemplo, que as contribuições da ciência foram de grande valia para ampliarmos a nossa qualidade e expectativa de vida?
Sendo assim, faço força, mas não consigo entender por completo, como é que alguém que tenha tido a oportunidade de estudar e aproveitar pelo menos um pouco das coisas positivas passadas pela escola que frequentou, possa escolher seguir ou praticar rituais de uma determinada religião que advoga explicações, na minha opinião, tão ingênuas, simplistas e até mesmo diria, infantis, para as questões centrais que há muito tempo angustiam a humanidade, tais como: Qual a origem das espécies? Como surgiu o Universo? Qual o significado de nossas vidas? Existe alguma coisa após a morte?

Usando na maioria das vezes argumentos baseados apenas no que está escrito em um ou outro livro qualquer, que consideram sagrados, e cujas colocações e inserções são consideradas como dogmas inquestionáveis, cada uma dessas religiões têm as suas diferentes respostas a estas questões angustiantes.
Para que entendam melhor por que eu acho que as pessoas poderiam evitar ficar durante boa parte de suas vidas, moldando seus pensamentos de acordo somente com o que está escrito nestes livros, vou usar ideias de um antigo pensador árabe, citado no 5º episódio da nova série Cosmos, que revi recentemente. Para os leitores que ainda não sabem, todos os episódios desta série, exibidos até agora no Brasil, estão sendo disponibilizados em um site chamado Universo Racionalista. Quem quiser, clique aqui para assisti-los (senha: 1 2 3 4).

Cosmos - Escondido na Luz
Neste episódio, o astrofísico Neil deGrasse Tyson fala sobre os estudos de Newton, Herschel, e outros cientistas, com relação às propriedades da luz. Cita o exemplo da câmara escura, assunto muito interessante e que eu já postei aqui, e o infravermelho, que eu escolhi não por acaso para dar título a este meu blog, explicando de que maneira as descobertas e investigações dos fenômenos luminosos abriram novos horizontes, possibilitando um melhor entendimento sobre as composições das estrelas e galáxias distantes, e permitindo que determinássemos até mesmo a própria consistência de todo o cosmo.
Há um trecho narrado, que eu gostei tanto de ouvir, que até fiz questão de transcrever aqui, e cujas palavras são atribuídas a um árabe chamado Alhazen (ao lado), que viveu de 965 a 1040 d.C., e que teria sido um dos primeiros a adotar uma postura crítica de raciocínio que se aproximava muito da usada no que conhecemos atualmente como o Método Científico, a fim de obter a verdade. Leiam:

"Encontrar a verdade é difícil, e o caminho é acidentado. Como buscadores da verdade, o melhor é não julgar e não confiar cegamente nos escritos dos antigos. É preciso questionar e examinar criticamente o que foi escrito, por todos os lados. É preciso aceitar apenas o argumento e a experiência, em vez do que qualquer pessoa diz, pois todo ser humano é vulnerável a todos os tipos de imperfeição. Como buscadores da verdade, devemos suspeitar e questionar nossas próprias ideias ao investigarmos fatos, para evitar preconceitos ou pensamentos descuidados. Sigam este caminho e a verdade vos será revelada."

Bacana, não acham? Este é um modo de pensar sobre todas as coisas, que a mim aparenta ser um dos mais compensadores de serem praticados. Essas palavras de Alhazen, mesmo que as vezes soem até meio proféticas, ou que pareçam ter sido redigidas por um apóstolo em algum canto do mundo, é o tipo de filosofia que não encontra um paralelo nos livros considerados doutrinadores. Lá não deve haver espaço para semelhante propaganda a favor do livre pensamento. Lá, os benefícios aos fiéis seguidores são fáceis de serem identificados e entendidos, desde que os deveres, datas, e frequência aos rituais não sejam questionados, e ao invés disso, sejam pontualmente seguidos. Além do mais, não se pode contrariar as tradições religiosas seculares, pois sendo elas já tão duradouras, provenientes de nobres costumes e boas culturas, não poderiam estar equivocadas, não é verdade?

Tempo, costumes e tradições, eternizando a "verdade"
Este é um problema das religiões tradicionais. Tenho a sensação de que cada vez mais a ciência, pelo fato de defender, na maior parte do tempo, ideias tão diferentes das que professam os intocáveis sagrados escritos, inevitavelmente acaba entrando em rota de colisão com as religiões mais populares e mais difundidas no mundo. E o que é pior, em assim sendo, neste eterno debate, quando um dos dois lados se mostra intolerante, começam os bate-bocas, brigas, radicalismos, extremismos, que não são bons para nenhuma das duas, ou às vezes mais partes envolvidas.

E agora, para mostrar por que fico chateado quando vejo o que as religiões fundamentalistas provocam, e os absurdos em que acreditam os seus adeptos, deixo este vídeo sobre as críticas e censuras feitas nos EUA, ao seriado Cosmos, que na minha opinião foi um dos mais agradáveis presentes que os amantes da ciência poderiam ter recebido este ano.

30/03/2014

Um modelo para explicar os eclipses

Um dos acontecimentos astronômicos mais bonitos e esperados deste ano é o eclipse total da Lua, que ocorrerá no próximo dia 15 de abril, e que poderá ser observado em todo o país a partir das 3 h da manhã. Por volta das 4 h, o eclipse atinge o seu auge, quando então a sombra da Terra terá diminuído quase totalmente a claridade refletida pelo Sol no nosso satélite natural.

Explicando eclipses aos meus alunos
A escola na qual comecei a dar aulas de Física a partir deste ano, faz parte de um programa relativamente novo do Governo do Estado de São Paulo, chamado de Escola de Tempo Integral. Na outra escola em que eu estava anteriormente, eu dava aulas somente das 7 h da manhã até às 12 h e 20 min, e depois ia para casa almoçar e passava a tarde livre, preparando aulas, corrigindo provas, dando aulas particulares ou cuidando das necessidades do lar e da minha família. Agora, eu entro às 7 h, almoço na escola e fico até as 16 h e 20 min. A vantagem - além do salário aumentado em 75% do anterior - é que em alguns momentos posso me dedicar mais à preparação de experimentos nos dois laboratórios, que foram reformados, e que por sinal ficaram muito bonitos. Consegui alguns materiais antigos que estavam em um depósito da escola e fui adaptando e montando alguns experimentos simples. Outra característica deste novo modelo de escola pública é que há disciplinas chamadas de eletivas, que os alunos escolhem de acordo com o gosto de cada um. Resolvi montar a disciplina de Astronomia e consegui 30 alunos matriculados. Na primeira aula, achei legal passar para eles em um telão, o primeiro episódio da nova série Cosmos, com Neil deGrace Tyson. Eles gostaram. Também já agendei para o dia 10 de abril uma visita ao Observatório Astronômico de Piracicaba.

Na aula da semana passada eu ia passar para eles o filme Gravidade, que eles próprios haviam sugerido, mas de última hora, descobri que o projetor da escola já estava sendo requisitado por outra professora, no caderno que usamos para reserva. Pensei bastante no que eu iria fazer com eles, e então resolvi preparar uma aula sobre eclipses. Existem vários livros, filmes, e videos, mostrando os dois tipos de eclipses, lunar e solar, mas achei que seria legal montar um modelo para explicar pessoalmente. Fui no laboratório, encontrei um canhão de luz que estava funcionando e pensei imediatamente em usá-lo para representar o Sol. Com mais algumas peças, encaixando aqui e ali, parafusos e fita crepe, e depois de algumas horas no laboratório consegui montar um modelo razoável.
Lembrei-me que eu tinha um globinho da Terra em casa, achei uma bolinha branca de borracha, com o diâmetro aproximadamente quatro vezes menor do que o globinho, e pronto.

Já durante a aula, inicialmente perguntei a cada grupo de alunos se eles sabiam dizer quanto tempo, mais ou menos, a Lua gasta para dar uma volta em torno da Terra, e me surpreendi com as respostas. Poucos alunos acertaram que o tempo é de aproximadamente um mês. Depois disso, com o auxílio de minha maquete, fui fazendo outras perguntas provocativas. Uma delas foi: Mas então, se a Lua leva aproximadamente um mês para dar uma volta completa em torno do nosso planeta, porque não temos, um eclipse do Sol e um eclipse da Lua a cada mês?  Novamente, poucos alunos souberam responder, usando a diferença entre o plano de órbita Sol-Terra, e o plano Terra-Lua. Aproveitei então para explicar mais essa característica para eles.
Como o globinho da Terra podia ser girado, mostrando a rotação, expliquei para eles a sorte que teremos de poder observar daqui do Brasil o próximo eclipse do dia 15.  
No final das contas, fiquei satisfeito com o resultado da minha ideia, pela curiosidade e participação dos alunos em aprender, e então, quando eles já haviam saído da aula, decidi tirar umas fotos. Vejam que boa estrutura do laboratório. Dizem que o governo irá enviar material novo para realizarmos novas experiências. Enquanto isso, vou me virando, improvisando com o que eu encontro por lá. 
Posição mostrando o eclipse do Sol.





Contagem regressiva para o eclipse total da Lua
Um bom site que encontrei sobre o eclipse do dia 15, mostra uma contagem regressiva para o acontecimento do evento, bem como outras valiosas informações. Para quem tiver interesse e quiser dar uma olhada, aí vai o link:
http://www.vercalendario.info/pt/lua/brasil-15-abril-2014.html

16/02/2014

É perigoso usar plásticos no micro-ondas?

Outro dia, durante o intervalo de aula na minha escola, uma das professoras, para preparar um chá, resolveu usar o micro-ondas para esquentar água em um copinho de plástico, destes mesmos descartáveis que usamos para tomar água gelada no bebedouro. No mesmo instante, a outra professora que estava na sala, e que dá aulas de ciências, alertou a nossa colega, dizendo que o plástico, ao ser esquentado, libera toxinas na água. Eu fiquei curioso e resolvi então fazer uma pesquisa sobre o assunto aqui na internet, para ver do que se tratava realmente. Inicialmente digitei no Google as palavras-chaves e cheguei a alguns sites que me ajudaram a entender melhor esta questão. O primeiro artigo que li foi este:
http://depoisdos25.com/esquentar-comida-plastico-microondas/, datado de 31/10/2012. Nele, uma nutricionista informa que a maioria dos plásticos contem em sua composição uma substância química maleável chamada Bisfemol A, ou BPA. Segundo ela, ao ser esquentado, o plástico libera uma pequena quantidade desta substância no alimento ou líquido que estamos aquecendo, e ao fígado cabe o papel de identificá-la e excretá-la, mas parte dela pode ficar acumulada no nosso organismo. Procurei então buscar mais informações sobre o BPA, e vejam o trecho que destaco neste site (http://pt.wikipedia.org/wiki/Bisfenol_A) da Wikipedia:

"Bisfenol A ou BPA é um difenol, utilizado na produção do policarbonato de bisfenol A, o policarbonato mais comum, e de outros plásticos. A substância é proibida em países como Canadá, Dinamarca e Costa Rica, bem como em alguns Estados norte-americanos, mas no Brasil era utilizada na produção de garrafas plásticas, mamadeiras, copos para bebês e produtos de plástico variados, sendo proibida apenas ao final de 2011, com prazo até ao final de 2012 para a retirada do produto das prateleiras e estoques."

Nesta mesma página da Wikipedia, quase que por acaso, vi lá no rodapé um link de um artigo da Folha de São Paulo informando que a cidade onde moro (Piracicaba) foi a primeira do Brasil a proibir o uso do BPA. E eu nem sabia disso até então.

Em um outro artigo do site da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), é usado um tom um pouco mais moderado.Vejam um trecho do artigo:

"Em 2010 a OMS realizou uma reunião com especialistas de vários países para discutir o assunto e a conclusão do relatório destaca os seguintes pontos: para muitos dos desfechos estudados a exposição ao BPA é muito inferior aos níveis que causariam preocupações, não incorrendo em problemas de saúde; estudos de toxicidade sobre desenvolvimento e sobre reprodução, nos quais são avaliados os desfechos convencionais, somente apresentam problemas em doses elevadas, quando apresentam; alguns poucos estudos mostraram associação de desfechos emergentes (como desenvolvimento neurológico específico ao sexo, ansiedade, mudanças pré-neoplásicas nas glândulas mamárias e próstata de ratos e parâmetros visuais do esperma) com doses mais baixas de BPA. Segundo os especialistas, devido à considerável incerteza relacionada com a validade e relevância destas observações referentes a baixas doses de BPA seria prematuro afirmar que estas avaliações fornecem uma estimativa realista do risco à saúde humana. No entanto, estes resultados devem orientar estudos a fim de reduzir as incertezas existentes.
Por precaução, alguns países, inclusive o Brasil, optaram por proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto. Esta proibição está vigente desde janeiro de 2012 e foi feita por meio da Resolução RDC n. 41/2011. Assim, mamadeiras em policarbonato não podem ser comercializadas no Brasil."


No artigo da nutricionista que eu citei no início, ela fecha o assunto, recomendando que as pessoas procurem evitar os plásticos no uso como recipientes para esquentar comidas ou líquidos, dando preferência aos recipientes de vidro, ou procurando usar somente plásticos que não tenham em suas composições o BPA, e há até um selo que eu imaginei que fosse padronizado, que é este que eu reproduzo na figura ao lado. Lá fui eu então procurar na minha cozinha alguns potinhos de plástico. Encontrei inclusive dois pratos de plástico, usados por crianças, pelo fato de serem mais seguros do que os de vidro, caso ocorra uma queda no chão, tão comum no caso das crianças. Procurei pelo tal selo informado pela nutricionista, mas infelizmente não achei em nenhum deles. No entanto, minha busca fez com que eu me deparasse em alguns daqueles produtos, com alguns símbolos diversos, tais como os que mostro a seguir:
Reparem que não há um padrão nacional ou internacional, mas pelo menos em alguns dos potinhos e pratos que encontrei em casa, havia estes símbolos, indicando que o produto poderia ser usado em micro-ondas. Não me perguntem quem ou que órgão estaria fiscalizando, com eficiência, se realmente estes produtos estariam livres do BPA. Pelo que vi, muitos recipientes plásticos não apresentavam nenhum símbolo destes, o que me leva a pensar que não seriam indicados para serem usados no aquecimento de alimentos. Será que a maioria das pessoas sabe disso? Acho que não. E pensar que, antes de 2012 eu já havia usado várias vezes o micro-ondas para aquecer o leite da mamadeira de plástico de minha filha, que hoje já está com 13 anos. O que tenho feito em casa agora é alertá-la para que evite usar plástico nestes casos.
Vou colocar aqui algumas fotos que eu tirei, para entendermos um pouco melhor.
No caso deste prato de plástico ao lado, identifiquei no verso o fabricante do produto: PLÁSTICOS RAINHA. No mesmo local, havia a informação de que a fábrica fica localizada na cidade de Pedreira-SP-Brasil, e havia também outros dois símbolos: o mais comum, que encontrei em quase todos os produtos de plástico que verifiquei, é o símbolo de reciclagem, dizendo tratar-se de polipropileno (PP), um triângulo com flechinhas e o número 5 dentro. O outro símbolo, com o desenho de uma tacinha ao lado de um garfo (terceira foto), indica que o produto pode ser usado sem problemas para se fazer refeições.

Tendo em vista a legislação brasileira que, como eu informei anteriormente através do trecho do site da ANVISA, e que vigora desde janeiro de 2012, suponho que este prato, mesmo sem os símbolos adequados, já não tivesse sido fabricado contendo o BPA.

Por via das dúvidas, pesquisei e achei o site do fabricante (http://www.plasticosrainha.com.br/index.php), mas infelizmente não vi lá nenhuma nota sobre os vários tipos de produtos de plástico que eles fabricam, se são adequados ou não para aquecimento em micro-ondas. Havia lá apenas um link de contato, mas não me dispus a enviar minhas dúvidas sobre o assunto. Apenas fiquei com a sensação de que talvez tenhamos ainda muito que caminhar para estabelecer uma maneira um pouco mais simples de passar diretamente ao consumidor as informações necessárias através de um simples símbolo.

Vejam, agora, este outro caso de um pratinho (foto ao lado) que veio de brinde em uma caixa de cereais que comprei há um tempo para minha filha. O fundo estava meio apagado, mas com o auxílio de uma lupa pude ver que além do símbolo que dizia que o produto pode ser usado para refeições, havia ao lado um outro símbolo de um micro-ondas, parecido com um dos que eu mostrei anteriormente. Dá pra ver (mais ou menos) na segunda foto, ao lado da figura com a tacinha e o garfo. Abaixo do símbolo do micro-ondas havia também o que eu suponho que seja a potência máxima a que o pratinho poderia ser exposto, que no caso era de 1000 W. Bom, pelo menos senti que houve um cuidado um pouco maior em passar alguma informação de maneira clara, fácil e objetiva ao consumidor.



Em alguns casos, havia o símbolo do micro-ondas, mas em outros, nada de informações neste sentido. Fiquei com a impressão de que realmente não há, pelo menos aqui no Brasil, uma obrigatoriedade dos fabricantes em colocarem tais informações. Vejam ao lado, o caso de um recipiente destes com tampas, que as pessoas usam para guardar alimentos na geladeira. O primeiro símbolo a partir da esquerda, é de um micro-ondas, e o seguinte diz que o produto pode ser usado também no congelador.

Finalmente, para tentar esclarecer-me da melhor forma possível sobre a afirmação da professora de ciências sobre os problemas que poderiam ser causados, caso sua colega tivesse usado a água esquentada no copinho de plástico, encontrei um deles e obtive informações, tanto na embalagem como no próprio copo. Vejam:
A informação da embalagem diz:
Material poliestireno não tóxico - Temperatura máxima de uso 100ºC. Eu suponho que o que eles estão querendo dizer neste caso é que se o copinho atingir temperaturas maiores do que 100ºC ele derreteria, mas quanto à liberação de toxinas ao ser esquentado no micro-ondas, em temperaturas menores, nenhuma informação. Novamente, suponho que estes copos não estejam mais usando o BPA, caso contrário, penso que realmente qualquer um deve evitar usar estes copinhos para esquentar água, como foi o caso da professora que não tinha uma alternativa no momento. Não creio que possamos confiar plenamente nos órgãos brasileiros, responsáveis pela fiscalização constante dos produtos e processos usados na produção dos recipientes de plástico usados por nós para esquentar alimentos. Portanto, vou ficar por enquanto com a mesma recomendação da nutricionista, do site que primeiramente busquei informações sobre este assunto. Na dúvida, é melhor optar por usar copos de vidro ou xícaras de cerâmica esmaltadas. A liberação de toxinas pode ser em doses pequenas, mas quem garante que o acúmulo delas, ao longo de anos de práticas repetitivas não possam causar algum problema para nós no futuro?

Fontes:
http://depoisdos25.com/esquentar-comida-plastico-microondas/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bisfenol_A 
http://www.tecmundo.com.br/eletrodomesticos/10978-mitos-e-verdades-sobre-o-micro-ondas.htm

28/01/2014

Por que o corvo e a gaivota atacaram a pomba da paz do papa?

Domingo, dia 26 de janeiro de 2014, duas crianças soltaram pombas brancas a partir da janela do Palácio Apostólico no Vaticano, acompanhadas do Papa Francisco, durante a oração do Angelus, diante de uma multidão que assistia tudo na praça. Acontece que para tristeza de milhares de fiéis, uma das pombas foi vista logo depois, sendo atacada de forma feroz por um corvo e uma gaivota. Veja nesta sequência de fotos:























Rapidamente, nos sites que publicaram a notícia, surgiram comentários de pessoas classificando o corvo e a gaivota como pássaros que estariam representando "o mal". Também foram lançados dezenas de milhares de posts no Twitter e no Facebook, alguns dos quais usando palavras como "demoníaco", "presságio", e "apocalíptico".  Mas o que de fato teria motivado estes ataques?

Por que o corvo e a gaivota atacaram as pombas?
Porque as pombas eram brancas. As pombas totalmente brancas, ao contrário do que muitos possam pensar, na verdade não são muito fáceis de serem encontradas normalmente na natureza. Milhares de pombos vivem em Roma, assim como na maioria das cidades. Eles variam de cor, do cinza claro ao marrom escuro. Muitas outras espécies de aves vivem em Roma, mas nenhuma é branca pura. Então, aos pássaros agressivos (como gaivotas e corvos), o que mais chama a atenção são pássaros de cor branca pura. Qual vai ser o alvo de seus ataques? O pássaro branco puro. Há uma razão para que aves albinas (e outros animais que nascem sem pigmento de cor), geralmente não vivam muito tempo na natureza. Eles são facilmente vistos e não conseguem se camuflar, e assim se destacam como alvo potencial dos predadores. 

Por que "pombas da paz"?
As pombas têm se constituído em um símbolo de paz durante milhares de anos, em parte por causa da história bíblica da Arca, em que uma pomba traz um ramo de oliveira a Noé (figura), mostrando que a terra estava próxima e que o terrível dilúvio seria breve. O cristianismo adotou a pomba como ícone religioso. Mas seriam as pombas realmente pacíficas? Nem tanto. Elas cuidam principalmente de seus próprios afazeres, se alimentando de sementes e ocasionalmente de pequenos insetos. São propensas a lutar entre si pelo território, com direito a bicadas e "tapas" de asas, como qualquer outra espécie.
Quanto ao incômodo que provocam a nós, poderíamos citar a grande intensidade das fezes que elas vivem soltando do alto, sem escolha de hora e lugar. 
Essas fezes, além de causar aborrecimento imediato, quando somos escolhidos como alvo, servem para a disseminação de doenças. Ao secarem, espalham pelo ar, fungos, bactérias e ácaros que podem causar pelo menos seis tipos de doenças. Entre elas estão a criptocose, que pode dar meningite; a histoplasmose, que pode dar doenças pulmonares; a salmonelose, que pode dar distúrbios gastrointestinais, além de dermatites e alergias.

Por que pombas brancas?
Porque o branco simboliza paz, pureza, serenidade, entre outras coisas boas, mas aí é que está o ponto: não há pombas brancas puras no mundo natural. As que foram criadas, são resultado de centenas de anos de domesticação e manipulação genética, permitindo que se obtivessem aves totalmente brancas para uso como animais de estimação, ou para serem soltas em casamentos e outras cerimônias.   

Quais são os pássaros que atacaram as pombas da paz?
Um deles era uma gralha, e o outro era uma gaivota de patas amarelas. Ambas são aves muito comuns na Europa. A primeira é parente do corvo americano, enquanto a segunda é da mesma família da gaivota de arenques, muito comum nas praias e lixões.
O corvo e a gaivota são onívoros, o que significa que eles comem qualquer coisa, desde pipocas e restos de lanches jogados em praças públicas, até filhotes roubados de ninhos de outras espécies, ou carniça de outros pássaros. Ambas são aves bem adaptadas para sobreviverem em torno de pessoas. 

Então esse não foi um sinal do Apocalipse? 
Eu tenho defendido sempre aqui neste blog, acima de tudo a educação científica das pessoas, para que deixem de lado explicações ou conclusões fundamentadas somente em religiões, misticismos, adivinhações, ou qualquer tipo de "sinais ocultos". Neste caso está claro que se trata apenas de aves predadoras agindo pelo instinto, assim como fariam comumente na natureza.


Fontes: 
http://news.nationalgeographic.com/news/2014/01/140127-white-peace-doves-attacked-birds-rome-vatican-pope/
http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/09/saiba-evitar-doencas-transmitidas-por-pombos-morcegos-e-ratos.html
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